Quando éramos crianças... ou melhor: quando eu era criança (ela, minha irmã, já era adolescente) vivia me comparando.
Ela: linda, popular, a aluna exemplar, parecia tomar sempre as atitudes mais corajosas e corretas possíveis, completamente descolada...
E eu: longe de ser um exemplo de beleza, baixinha, gordinha, claramente impopular, sempre pagando "micos" com meu jeito desengonçado, fazendo questão de ser uma má aluna (o suficiente para não ficar de recuperação... e só). Grande invejosa.
Talvez tudo fosse mesmo para evitar comparações. Alguma vez algum filósofo deve ter dito: "o verdadeiro monstro reside dentro de si." A comparação, sempre foi minha, sempre foi algo feito por mim.
Hoje, paro a comparar:
Ela: linda, popular, aluna exemplar, parece tomar as atitudes mais corajosas e estúpidas possíveis (mas denota de um discurso completamente convincente). Uma engenheira alérgica a literatura.
E eu: longe de me importar em ser um exemplo de beleza, baixinha, gordinha e brava, claramente impopular, sempre pagando "micos" com esse meu jeito desengonçado, tentando recuperar minhas notas que por tanto tempo fiz questão de não correr atrás. Aspirante a escritora... alérgica a física. Grande admiradora.
É pra evitar comparação?
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