Tenho um sério problema (além de falta de concentração) : livros.
Estive pensando... acho que sou extremamente consumista. E compulsiva. Isso porque a biblioteca de casa é gigante (três prateleiras e muitas caixas - além dos espalhados pelo chão). De infantis a dicinários, com certeza se somados darão mais de duzentos. Muito mais. O que é uma vergonha, uma dupla vergonha. Vergonha porque de todos esses livros devo ter lido muito menos da metade (com exceção dos infantis, que minha mãe fazia questão de ler todas as noites - cada noite um livro do Sítio ou de alguma Princesa diferente) e vergonha dupla porque, compulsivamente, compro livros e mais livros.
Minha mãe ganhou um prêmio da companhia onde ela trabalha: tem créditos para comprar o que quiser em determinada loja. Como o crédito é alto, ela resolveu dividi-lo em três (ela, eu e minha irmã). O destino de cada terço (na verdade não eram "terços" exatos) foi variado: minha mãe comprou parte daquilo que nos faltava em casa (uma geladeira, por exemplo), minha irmã comprou um mp4 - que me rendeu um mp3 (quase nunca usado). Eu... torro tudo em CDs e livros, os quais eu começo a ler... paro no segundo capítulo... começo outro... paro... e retomo a leitura do primeiro, quase que mil anos depois.
Acho que tenho um sério problema com estabilidade.
Mês passado comecei a ler “As horas nuas”, de Lygia Fagundes Telles. Amei. Parei de ler, não me lembro ao certo do motivo, próximo à página 50... Então encontrei na prateleira um livro lindíssimo de Clarice Lispector... parei. "Quando Nietzsche Chorou" também chamou minha atenção... mas não por muito tempo. Comecei a ler os livros que a escola pediu... Adorei "Vidas Secas" (adorei de verdade... não entendo porque todo mundo fala tão mal...) mas parei no penúltimo capítulo. E, como se não bastasse, encomendei "1984".
Mentira. Encomendei "1984", "A Menina que Roubava Livros", o livro da história da música durante a ditadura militar (não lembro o nome), "De Cabul, com Amor", "Eu e outras Poesias"....
E aquele livro maravilhoso de Fernando Pessoa ficou esquecido no sofá.
É assim, picado e ordinário.
Começo a achar que não seja paixão por leitura, mas sim consumismo puro.
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