Por algum motivo a primavera sempre foi associada a romance. Talvez sejam as árvores frutíferas ou os animais em época de acasalamento... mas eu sempre associei: primavera>bichinhos>flores>amor. Setembro sempre foi meu mês preferido.
O mais bizarro é que meu ex namorado preferido me pediu em namoro no primeiro dia de primavera. Foi quando eu comecei a preferir o verão.
Acontece que essa estação desgraçada não deixa ninguém escapar. Chega o fim do ano e, por alguma razão (talvez seja a época do acasalamento, insisto), todo mundo arruma namorado. Ok, talvez não namorado. Mas essa coisa grudenta.
É engraçado.
Ela finge que não gosta dele. E finge pra si mesma. E finge tão mal...
Eu finjo que não gosto dele. E chego a quase fingir pra mim mesma. Mas insuportável e incrivelmente, ele sabe.
Ele, o terceiro ele, finge que gosta de mim. Finge bem. Muito bem. Até ele chega a acreditar. Mas nós dois sabemos o nome do sentimento...
Pela primeira vez em muito tempo não é do terceiro que eu quero falar. Isso me assusta. Minha terapeuta (a J! - "a única pessoa que posso amar incondicionalmente") me fez perceber:
não sei por que, mas o fato de eu adorar pensar nele, falar com ele, ficar olhando a chuva sem dizer nada só na companhia dele... tudo isso parece errado. Parece q eu não tenho o direito de fazer isso, ou sei lá. E não tem motivo. Ou talvez o motivo seja o óbvio fato de que tudo acaba um dia. A gente quebra a cara sempre e isso é um ciclo sem fim. O que se torna de extremo caráter existencial. Qual o sentido da vida se a gente sempre se dá mal?? Em todos os assuntos, quero dizer.
Bom, deixando de lado minhas crises existenciais rotineiras... a Tati disse uma palavras engraçada hoje. "Sobrancelhas". Me lembrei da história... como era mesmo? "O Homem Sem Sobrancelhas" acho que era isso. Uma dessas historinhas que temos que escrever na quarta série. Foi meu primeiro texto existencialista. E o primeiro livro editado e lançado no mercado com uma história minha!
Ok, o mercado era pequeno. E a historia era bem boba, na verdade. Dizia alguma coisa sobre um cara inexpressivo... acho que ele morria no final. É, provavelmente morria. Acho que desde criança drama é meu forte. O segundo livro que editaram com uma historinha minha (era "historias sobre bomba atomica por autoria dos formandos da oitava serie do anglo" ou sei lá) foi realmente terrível. E meu personagem morria. Quantas vezes a Ana já não me deu bronca por matar tudo e todos??
E, por mais que eu tenha parado de escrever narrativas (cheguei à conclusão que sou um lixo em narrativa também - elas acabam faltando com verossimilhança), continuo a matar minha protagonista.
A verossimilhança ainda me foge.
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