sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Retomada

Não é pelo vazio dentro de mim. Nem pela falta do que fazer. Não, dessa vez é pela quase decepção. comigo mesma.
Como diria a poeta "não consigo escrever algo bom ou apreciar o lado sagaz da tristeza". É porque não há tristeza. É porque, pela primeira vez, senti-me livre de verdade. Livre como se não devesse nada a ninguém. Livre como quem tem permissão a tentar fazer dar certo. Livre dele, livre de mim, livre da culpa, do amor frustrado e da raiva. E não consigo escrever nada além das minhas frases soltas, superficiais e sem-sentido.
Nada.
A melhor sensação do mundo é não senti-lo. Tinha me esquecido disso.
Não tenho nada a ironizar.
Nada.
Chego a pensar que perdi o dom de ser irônica. Esqueci da arte de ser sarcástica.
E talvez seja por isso que não tenho escrito.
Talvez a ânsia e o desespero de uma semana de provas (para as quais ainda nem me preparei) tenha feito isso comigo.
Ou talvez tenha sido a despedida. e a leveza.
Quarta-feira, numa aula excepcionalmente incrível do Morato, o ânimo veio a mim e tudo fez-se música. Palavrões, onomatopéias, barulhos repetitivos mesmo que descompassados. Tudo música. Me veio a vontade quase que descontrolada de escrever.
Mas não escrevi.
Hoje, esperada sexta, nas primeiras duas aulas (interessantíssimas, diga-se de passagem) me veio a frase "estou brava com você." E a vontade quase que descontrolada de escrever se descontrolou. E, mesmo que seja sobre nada, quero escrever. Assim.
Não são toscas frases soltas. Não são ironias bem-vindas. Não é um texto bom (nem ao menos satisfatório).
É o nada (talvez bem colocado), dessa vez desacompanhado do vazio.

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