Agora eu sei.
A culpa, que vivia a me rondar, não era culpa.
Mais uma vez, explosões de sentimento me deixam doida.
E não, ex-namorado, não tem nada a ver com você.
Me sinto a pessoa mais culpada do mundo pelo assalto. Minha mãe não se sente mais segura, meu amigo não tem mais carro, os violões se foram e anda triste a moça que me é mais importante. E eu? Não tenho nada a ver com a história. Mas a culpa é minha. Culpa minha porque me recuperei fácil... porque não tive um sonho ruim, até agora. Consigo, facilmente, sair na rua, dormir, comer, tudo. Ecoa em mim como um desrespeito. Falta de consideração, é isso que é.
Isso é sentimento de culpa. Culpa de não sentir o que deveria.
Eu deveria?
Aquilo que antes eu julgava como sendo culpa era vergonha. Agora consigo distinguir. Tenho vergonha de ser quem sou. Vergonha de sentir culpa. E raiva de sentir vergonha.
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